Operação Martelo Virtual entra na 3ª fase com cumprimento de mandados em SP
26/03/2026
Divulgação/PCMG
Com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos, na modalidade conhecida como Golpe do Leilão, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) desencadeou a terceira fase da operação Martelo Virtual, nesta quinta-feira (26/3). Além da fraude eletrônica, o grupo também é investigado por lavagem de dinheiro e sonegação tributária decorrente dessas atividades ilícitas.
A ação contou com o apoio logístico, operacional e de inteligência da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP), para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e outros dez de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas nas cidades de São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul, todas no estado paulista.
Como resultado, os policiais apreenderam celulares, documentos, veículos e outros bens de valor, materiais que serão submetidos à análise técnica pela PCMG, com o objetivo de aprofundar as investigações e identificar outros eventuais envolvidos no esquema criminoso.
Levantamentos policiais
As investigações foram iniciadas pela Delegacia de Polícia Civil em Frutal, no Triângulo Mineiro, em 2023. Conforme apurado, o grupo alvo das apurações atuava de forma estruturada, a partir de cidades localizadas em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.
Análises bancárias e fiscais apontam movimentações, nos últimos cinco anos, de aproximadamente R$ 520 milhões. Ainda segundo apurado, apenas no último ano, mais de 250 pessoas teriam sido vítimas do grupo em diferentes regiões do Brasil, havendo registros de prejuízos individuais que se aproximam de R$ 200 mil.
Golpe do Leilão
A fraude eletrônica conhecida como Golpe do Leilão consiste na criação de páginas eletrônicas que simulam plataformas legítimas de leilões com o objetivo de induzir as vítimas ao erro.
No caso investigado, a PCMG apurou que, ao realizarem pesquisas na internet, os usuários eram direcionados a endereços eletrônicos irregulares, promovidos por meio de mecanismos de monetização e impulsionamento em plataformas digitais.
Após a suposta arrematação de veículos anunciados nessas plataformas, as vítimas eram direcionadas a conversas em aplicativos de mensagens, com o pretexto de conclusão da compra. Nesse momento, os suspeitos solicitavam transferências bancárias via Pix para contas de outras pessoas.
De acordo com o delegado João Carlos Garcia Pietro Júnior, a PCMG constatou que a organização criminosa possuía uma estrutura interna bem organizada, com divisão de tarefas definidas.
“Identificamos também indivíduos dentro da organização responsáveis pela captação de contas bancárias em nome de terceiros (laranjas) usadas para receber os valores ilícitos provenientes dos golpes que possuíam plena ciência dos valores ilícitos que recebiam”, explicou o delegado.
O dinheiro obtido por meio do golpe era direcionado a um grupo familiar do estado de São Paulo, apontado como os principais operadores financeiros do esquema. Eles garantiam a pulverização dos recursos para outras contas a fim de ocultar sua origem.
Conforme apurado, as pessoas que recebiam esses recursos possuíam veículos e bens imóveis incompatíveis com a renda declarada, mantendo, inclusive, garagens de veículos que simulavam atividade lícita.
Leia mais sobre as outras fases da operação Martelo Virtual: