Ainda segundo o biólogo, o problema ocorre quando a planta se acumula em grande quantidade e forma uma camada sobre a superfície da água. Essa cobertura reduz a entrada de luz, prejudica a fotossíntese de algas nativas e, durante a decomposição, pode diminuir o nível de oxigênio na água. Entre os possíveis impactos ambientais está a mortandade de peixes.
Onde começou a proliferação?
Conforme apuração da TV Integração junto às autoridades, as plantas foram identificadas por moradores pela primeira vez na região da Prainha, no reservatório de Nova Ponte, a cerca de 45 quilômetros de Indianópolis.
No dia 6 de agosto, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Nova Ponte informou que acompanhava o problema, após moradores reclamarem que estava afetando o abastecimento de água. Na ocasião, o órgão afirmou que não havia risco para a água distribuída à população, porque o ponto de captação fica a cerca de 5 quilômetros da Prainha, em área diferente de onde as plantas estavam concentradas.
Em 7 de agosto, a Cemig, companhia de energia, confirmou que estava ciente da presença da planta aquática no reservatório da Usina de Nova Ponte e informou que a situação estava sendo avaliada por uma equipe técnica. A empresa explicou que realiza um monitoramento específico para identificar como as plantas surgiram no local.
Ainda conforme ressaltado na nota da Cemig, a proliferação pode ter várias causas, como excesso de nutrientes na água, temperatura, chuvas e características de uso da bacia. Por isso, a empresa informou que ainda não havia condições de apontar um único fator responsável pelo crescimento da vegetação.
Já no dia 16 de agosto, houve abertura temporária das comportas da Usina de Nova Ponte. Segundo a Cemig, a operação atendeu a uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico para manter o fluxo de água no Rio Araguari durante uma pausa na geração da usina, em um domingo.
Foi a partir da abertura das comportas, uma grande quantidade de plantas seguiu rio abaixo e chegou à Represa de Miranda, em Indianópolis. A empresa responsável pela Usina Hidrelétrica de Miranda confirmou que a massa vegetal observada no reservatório tem origem no reservatório de Nova Ponte. Veja nota na íntegra abaixo.
A TV Integração conversou com um representante da Prefeitura de Nova Ponte, que informou que o abastecimento de água segue normal e que a infestação das plantas diminuiu bastante na cidade.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari também informou que acompanha a situação de perto e que vai tomar as providências cabíveis diante do crescimento das plantas nos reservatórios de Nova Ponte e Miranda. Confira a nota na íntegra abaixo.
Em Indianópolis, a Secretaria de Meio Ambiente informou que cerca de quatro caminhões de plantas já foram retirados manualmente da região da balsa, área usada para turismo no município. A preocupação segue com a parte da vegetação que se espalhou por outros pontos da represa.
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Planta aquática forma ‘tapete marrom’ por cerca de 90 km no Rio Araguari e mobiliza força-tarefa em MG — Foto: Prefeitura de Nova Ponte/Reprodução
"A Usina Hidrelétrica Miranda informa que acompanha e monitora a ocorrência envolvendo o deslocamento de algas e macrófitas aquáticas na Bacia do Rio Araguari. A massa de macrófitas observada tem origem a montante, em ocorrência registrada anteriormente no reservatório da UHE Nova Ponte.
A situação está sendo acompanhada em diálogo com os integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari (CBH Araguari), órgão que reúne representantes dos usuários da bacia e do poder público.
Ressalta-se que a proliferação dessas plantas aquáticas não constitui uma característica típica do reservatório da UHE Miranda. Desde que a ENGIE assumiu a operação da usina, em 2018, esta é a primeira ocorrência dessa natureza registrada no empreendimento.
A Companhia segue monitorando a evolução do cenário e adotará, se necessário, as medidas cabíveis em articulação com os órgãos competentes e demais partes envolvidas.
Esclarecemos, ainda, que não foi identificada qualquer anormalidade na operação da usina ou na geração de energia elétrica. O empreendimento permanece operando normalmente, em conformidade com as diretrizes e os despachos estabelecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)."
"O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari (CBH Araguari), reafirmando o seu compromisso com a comunidade, informa que irá tomar todas as providências cabíveis diante do crescimento exponencial de macrófitas aquáticas registrado nos reservatórios de Nova Ponte e Miranda, localizados em nossa bacia. Sempre atento e vigilante a tudo o que acontece em nosso território, o Comitê já está acompanhando de perto a situação. À população, aos usuários de água, produtores rurais e empreendimentos locais: além de exercer nosso papel de articulação e cobrança junto aos órgãos competentes e concessionárias, o CBH Araguari também se compromete a atuar diretamente, de forma prática e efetiva, na solução do problema. Permanecemos à disposição de todos, dedicando nosso trabalho e empenho diário à proteção do nosso patrimônio hídrico".
Por: G1