O original é o Mr. Uber Araguaia 461, que morreu em 2021. Ele era considerado o touro mais importante da raça já produzido no país, líder em vendas de sêmen, inclusive para exportação. Estima-se que que mais de 30 mil doses desse animal tenham sido comercializadas.
“O Araguaia foi um animal – ainda bezerro – recordista de preço no Congresso Mundial da Raça Brahman no Brasil. A partir daí, ele foi muito bem votado no PNAT [Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens], foi vencedor de exposições. Mas, principalmente, o Araguaia produziu vários campeões e campeãs, colocou importantes touros em central. E até hoje, seus netos e bisnetos vem se destacando nos principais rebanhos do Brasil e de outros países”, afirmou Aldo Valente, criador do Araguaia.
O processo de reconstrução embrionária durou cerca de oito dias no laboratório e nove meses de gestação.
“Coletamos amostras de pele do touro. A partir dessas biopsias de pele, isolamos células, que foram doadoras de núcleo no processo da clonagem” explicou Rodolfo Rupf, diretor técnico do laboratório.
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Touro Brahman Mr. Uber Araguaia 461 — Foto: Reprodução/TV Integração
A produção do clone foi necessária devido à grande contribuição do Araguaia para a pecuária nacional.
“Para você ver a importância do Araguaia, temos a prova do Zebu de qualidade de carne promovida na fazenda da ABCZ, um dos projetos mais avançados da pecuária. E o animal que mais se destacou na prova de pasto é neto do Araguaia com quase o dobro do índice do segundo colocado. A gente vê que essa genética tem ainda uma contribuição importante a ser dada e a nossa expectativa é que esse clone seja saudável”, lembrou Aldo.
Se o processo continuar indo bem, os criadores esperam começar a distribuição do sêmen do novo touro dentro do prazo de dois anos. Um dos objetivos é fazer com que cerca de 100 mil doses sejam distribuídas no Brasil e também no exterior.
“Acreditamos que a dose tenha a agregar valor e produtividade na pecuária, seja comercial ou de gado puro. Esperamos que essa genética seja cada vez mais multiplicada, porque temos muita confiança nela. Há muito respaldo técnico por trás dessa genética que certifica os resultados que ela vai gerar”, avaliou o diretor técnico Filipe Valente.
Enquanto isso, o bezerro deve continuar na fazenda, sendo avaliado e muito bem cuidado.
“A gente dá as condições de fornecimento de leite, água a vontade, sal mineral e ração de boa qualidade. E faz o controle, também, de verminose e as vacinas reprodutivas. O objetivo principal é entregar um animal de excelência, como a gente sempre tem feito nos últimos anos, para que ele continue uma vida natural”, contou o médico-veterinário Lucas Adriano Bock.
Por: G1